03
nov
Reflexões Rebeldes – lançamento do livro e debate com Cid Benjamim
19:30 até 22:00
03-11-16

DEBATE: REFLEXÕES REBELDES – com Cid Benjamin (autor do livro) e comentários de Juliano Medeiros, presidente da Fundação Lauro Campos e Sâmia Bonfim, vereadora eleita da cidade de São Paulo.

Debate seguido de noite de autógrafos.

Quinta-feira, dia 3/11, na Fundação Lauro Campos, às 19h30.

Al. Barão de Limeira, nº 1400 – Campos Elíseos – São Paulo – SP
Proximo à estação Marechal Deodoro do metrô.

 

Apresentação da obra

 

Este livro traz uma coletânea de artigos escritos por mim nos últimos anos. A maioria foi publicada em jornais — em particular em dois deles: O Globo e O Dia, ambos do Rio de Janeiro. Mas há textos divulgados em outros veículos e, também, preparados a partir de anotações para palestras, além de editoriais lidos no programa de rádio Faixa Livre — em que atuei como âncora cobrindo férias do titular, meu amigo Paulo Passarinho — e posts no Facebook.

A maior parte desses artigos foi redigida durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff na Presidência da República. Mas o publicado em primeiro lugar — “Levanta, saco de  poeira e dá a volta por cima” — foi escrito em seguida ao impeachment de Dilma, a pedido da Editora José Olympio, para que abrisse a coletânea. Ele faz um balanço da situação da sociedade e da esquerda a partir do afastamento de Dilma. Há outros dois inéditos: “A turminha braba e sua ponte para o passado” e “Toda luta deve ser apoiada? Toda forma de luta deve ser apoiada?”, também redigidos em maio de 2016. A denúncia do “golpe paraguaio” sofrido por Dilma está presente em vários artigos, mesmo em alguns escritos antes da abertura do processo de impeachment. E aqui vale um parêntese: não se veja na expressão “golpe paraguaio” demonstração de preconceito contra o país irmão, mas tão somente uma referência a essa nova modalidade de golpe de Estado na América Latina, sem tanques ou canhões, e apoiada no Legislativo e no Judiciário, inaugurada no Paraguai.

Mesmo tendo feito oposição ao governo Dilma — uma oposição de esquerda, programática —, meu repúdio ao golpe que levou Michel Temer e seus asseclas ao poder é radical. Seja porque o golpe atropela a democracia e abre um precedente perigoso, que é o impeachment sem base legal, seja porque o governo Temer significará um gigantesco retrocesso político e social para o país. Esta posição crítica ao golpe fica patente na coletânea, seja em artigos publicados ainda antes do afastamento de Dilma, seja em textos posteriores ao impeachment. Como os artigos foram escritos em diferentes momentos, na abertura de cada um deles há informações sobre o  momento político, o assunto de que trata (o que nem sempre fica claro apenas pelo seu título), a data e o veículo em que foi publicado. Na medida do possível, os escritos estão agrupados por assuntos. Considerei melhor apresentá-los assim do que em ordem cronológica.

Como, em sua maioria, foram publicados em jornais de grande circulação, os artigos estão redigidos de forma didática, podendo ser compreendidos mesmo por leitores não familiarizados com termos usuais da política ou da economia. Aliás, alguns se propõem justamente a desvendar esses termos ou a explicar questões que, num primeiro momento, parecem só ao alcance de especialistas. Os artigos são voltados para o debate na sociedade e não para quem já tenha posições próximas às minhas. Não estigmatizam quem não pensa como eu. Ao contrário, buscam dialogar com essas pessoas, muitas vezes a partir de suas próprias convicções, buscando trazê-las para uma reflexão mais aberta. Aliás, o debate na sociedade me atrai mais do que a luta interna na esquerda — ainda que esta seja também necessária. A maioria dos textos combate abertamente a direita, nos planos político e ideológico. Outros, porém, mantendo seu viés de esquerda, foram escritos para estimular o debate no seio das forças progressistas. E, em alguns casos, vão na contramão de teses predominantes nesses campos. Alguns  exemplos:

Critico a Lei da Ficha Limpa. Sou contrário ao financiamento público de partidos e de campanhas eleitorais. Mostro as armadilhas da proposta de tarifa zero nos transportes. Penso que não deve haver apoio automático da esquerda a toda luta desenvolvida por movimentos de trabalhadores. Não apoio certas formas de luta usadas por trabalhadores, como greves por tempo indeterminado de funcionários públicos que prestam serviços diretamente à população. Combato o corporativismo, muitas vezes presente no movimento popular, ainda que, com frequência, esteja presente em lutas apoiadas por amplos segmentos da esquerda. Afirmo que movimentos de massas não conduzem necessariamente a processos revolucionários, ou ao fortalecimento do campo progressista. Aliás, essa idealização de qualquer manifestação popular levou a conclusões errôneas de alguns sobre as jornadas de junho de 2013 no Brasil, ou sobre eventos como a chamada Primavera Árabe, em 2001 e 2012.

Por tratar de questões desse tipo e a partir dessa ótica, cheguei a pensar em publicar alguns desses textos em separado, numa outra coletânea que receberia o título de Teses malditas. Acabei desistindo da ideia e integrando-os a este Reflexões rebeldes. No mais, nestes dias de confusão ideológica, reafirmo a importância da política como a mais nobre das atividades humanas, se exercida com espírito público. Insisto em que a promiscuidade entre a ação política e os “negócios” — lamentavelmente incorporada por parte do PT, no rastro das piores tradições da política brasileira — deve ser repudiada. “Quem quiser enriquecer, que o faça — costuma dizer Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai —, mas longe da política.” Ele está cheio de razão. Faço votos de que a publicação desta coletânea contribua para a reflexão acerca das desigualdades sociais e para a busca das formas de combatê-las, numa perspectiva de luta por uma sociedade socialista e radicalmente democrática. Espero, também, que esta coletânea ajude a reafirmar a necessidade da utopia na ação política. Afinal, sem a utopia, a política — assim como a vida — não passaria de uma mesmice sem objetivo maior. Por fim, é preciso ter presente sempre que, se hoje a vida é extremamente dura para a maioria, “ela devia ser bem melhor, e será”, como ensinou Gonzaguinha.

(Cid Benjamim)